
FAQ
Dúvidas Frequentes
Remédios homeopáticos provocam danos à saúde? O uso de remédios homeopáticos de forma inadequada não provocam efeitos colaterais clássicos, mas podem mascarar a doença ou mesmo trazer danos irrecuperáveis à saúde.
O outro lado da cura
Ao provocar sintomas similares às doenças dos pacientes, os homeopatas baseiam-se em princípios opostos aos da medicina tradicional.
Queixando-se de dores não importa onde, você procura um médico. Na consulta, ouve perguntas esquisitas: se dorme coberto ou não, como se veste que comida não suporta, qual o cheiro do seu suor. Ao final, vem a prescrição de um remédio que pode ter como precursor o arsênico, o veneno de cobra, a formiga ou pêlo de gato.
Você pode imaginar que são ingredientes de uma poção preparada por alguma bruxa de histórias infantis. Mas, na realidade, são substâncias usadas nos remédios da homeopatia, uma ciência inventada há pouco de 200 anos e que reúne milhões de adeptos no mundo inteiro.
Tudo começou por volta de 1790, com o alemão Samuel Hahnemann. Após dez anos exercendo a medicina convencional, ele se encontrava extremamente desiludido. Pudera! Naquele tempo, pregava-se o uso de sangrias e purgativos que, por meio da eliminação do sangue e das fezes contaminadas, curariam qualquer mal. Não havia limites para a quantidade de sangue a ser retirada, que chegava a 80% do total. Muitas vezes o próprio tratamento era a principal causa da morte do paciente.
Ao traduzir um livro, Hahnemann ficou intrigado com a descrição da intoxicação por quinino, medicamento contra malária. Os sintomas causados pelo excesso da substância eram parecidos com os provocados pela própria doença. Impressionado, o médico se perguntou se os outros medicamentos também despertariam sintomas similares aos dos males que curavam e iniciou experiências usando parentes e amigos como cobaias.
A partir daí, ele chegou ao conceito da cura pelo semelhante. Esse princípio tinha sido notado mais de 2 mil anos antes, em 450 a. C., por Hipócrates, o pais da Medicina - e é oposto à alopatia, que segue a filosofia dos contrários. Para combater a febre, por exemplo, os alopatas usam drogas contra o calor ou antitérmicas. Mas, para os homeopatas, algo que causa febre pode curar a própria febre. Será que isso não agravaria o problema? Não. A saída da homeopatia foi diminuir a dose do princípio ativo até ele não apresentar efeitos tóxicos.
A água teria memória
Hahnemann passou a diluir as substâncias na proporção de um para 100 - uma parte delas para cada 99 partes de água e álcool. Além da diluição, o cientista afirmou que, agitando o remédio, liberavam-se os princípios ativos. Dessa forma, o líquido aparentemente inoculo teria propriedades curativas graças à agitação, batizada pelo médico alemão de dinamização. "Até hoje não se sabe como ele chegou a essa idéia", conta o homeopata Renan Ruiz, de São Paulo.
A cada repetição do processo de diluição, a composição inicial vai ficando mais e mais rarefeita até que, se chega à 12a vez, atinge-se o chamado número de Avogrado. Ele mede a quantidade das moléculas de uma substância em 1 grama de uma solução qualquer. Quer dizer, se acordo com a química, depois 12 diluições não sobra nada do medicamento no líquido. Mas, de acordo com a homeopatia, quanto maior a diluição (que os especialistas chamam de potência), maior a força do tratamento.
O remédio homeopático, por tanto, nada tem a ver com aqueles naturais de farmácias de manipulação, que usam a substância ativa uma planta, por exemplo - em estado puro. No medicamento dos homeopatas só existem, do ponto de vista da química, água e álcool. Ou açúcar puro, no caso dos glóbulos, aquelas bolinhas brancas. Como será que isso, então, poderia curar uma doença? Alguns homeopatas dizem que a água possui memória e, portanto, guardaria as informações do medicamento na forma de energia - o que não poderia ser detectado em análises químicas comuns. Nem Hahnemann conseguiu demonstrar como essa energia teria passado para o líquido.
Antes dos sintomas
Em sua obra Orgamom publicada em 1810, Hahnemann defendeu, ainda, a existência de uma energia responsável pela manutenção da vida. Se ela está em harmonia, o corpo se encontra em perfeito equilíbrio, cuja falta explicaria qualquer problema de saúde.
Às vezes, a energia pode se alterar, provocando, num primeiro momento, reações discretíssimas, como mudanças de comportamento, tristeza, ansiedade, até chegar na doença propriamente dita. "Ela nem apareceria se pudéssemos introduzir o medicamento quando os distúrbios ainda estão nesse ponto, antes de quaisquer sintomas físicos", acredita o homeopata Giovanni Bruno. A idéia é a de que o remédio, induzindo os mesmíssimos sinais do equilíbrio, só que amenizados, estimularia o organismo a se defender sozinho. E a se curar.
O plano psíquico tem uma importância fundamental para os homeopatas. Por isso a consulta costuma ser mais detalhada e demorada que a dos alopatas. O médico deve descobrir o máximo de informações sobre o paciente para saber como é sua personalidade e lhe indicar o remédio correto.
Segundo os especialistas, a relação de confiança mútua entre o homeopata e o doente é importantíssima. Quanto maior for a proximidade, maiores as chances de se encontrar o medicamento perfeito para aquela pessoa, dentre os mais de 2.500 existentes. A medicação selecionada sob medida para determinado indivíduo, de acordo com seu temperamento e seus hábitos, é o que os homeopatas chamam de remédio de fundo, ou simillimum. Dessa maneira, uma amidalite pode ser tratada de inúmeras formadas pela homeopatia, dependendo de como é a pessoa. Cada uma terá o seu simillimum.
"Uma vez encontrado o elemento certo, ele acompanhará o paciente durante toda a vida", explica o homeopata Henrique Stiefelmann, de São Paulo. "O que menos importa é a dor em si. Para aquele indivíduo, pode ser uma micose no pé ou um cálculo renal, mas no pé ou um cálculo renal, mas o remédio será o mesmo", completa o médico Lech Szimansky. E, para is homeopatas, a cura será global. Ou seja, o paciente pode procurar o consultório pensando exclusivamente em uma dorzinha de estômago. Mas sairá de lá uma receita capaz de resolver esse problema, outros sintomas físicos e todos os eventuais desvios de comportamento.
Linhas diferentes
O medicamento único muitas vezes é dado em uma só dose. Os homeopatas adeptos dessa linha de pensamento são os unicistas. Mas, se o médico não consegue determinar exatamente o simillimum, ele pode recorrer a mais substâncias. Esses são os pluralistas, que adotam mais de um médico e doses repetidas.| < Anterior |
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